Review – Dairoku: Agents of Sakuratani (Dairoku: AYAKASHIMORI)

Acompanhe a história de Shino, uma jovem à procura de emprego que desde criança consegue enxergar fenômenos e criaturas “estranhas”. Um dia, ela é contratada como agente de uma organização especial e secreta cuja função é proteger os Ayakashi (criaturas folclóricas sobrenaturais), a “Ayakashimori”. Dentro dessa organização, ela começa a trabalhar, junto de seus colegas humanos, em prol de uma relação harmoniosa entre Ayakashi e humanos.

Se você quer saber mais a respeito da sinopse e personagens, confira primeiro nosso post Dairoku: Agents of Sakuratani (Dairoku: Ayakashimori) – História, personagens e guia de rotas para se ambientar melhor. Essa análise tomará como base que você tenha ciência dos detalhes apresentados no post mencionado.

Avisos:

  • Este post contém apenas spoilers leves! As rotas e personagens serão comentados de uma maneira que evite spoilers. As CGs utilizadas são as mesmas usadas no site oficial e/ou na abertura. Entretanto, se você quer saber o mínimo de informação sem spoilers para decidir se vale a pena jogá-lo, leia a partir do tópico História. [Nota da Pixela: Na prática, você pode ler tranquila todo o conteúdo, vai por mim, eu nem chamo o que a Phii escreveu de spoilers kkkk]

  • Este texto contém opiniões pessoais e não reflete necessariamente a visão de todas as integrantes do Otomices

Guia e acesso rápido aos tópicos:

Ficha Técnica

Dairoku: Agents of Sakuratani
Título Original: DAIROKU : AYAKASHIMORI
Tipo:
Otome Game
Plataforma: Nintendo Switch
Data de Lançamento original: 28/05/2020
Data de Lançamento em inglês: 02/12/2021
Desenvolvedora: Otomate
Publicadoras: Idea Factory Co., Ltd. (JP) / Aksys Games (EN)
Escritores: Mizoochi Hatoko, Nanase Mio, Oogi Saya, Shidou Rei
Character designer e artista: Suoh
Artista encarregado pelos chibis: Mayuzumi Kei
Diretor: Riku Yukisawa
Classificação etária: Teen
Site Oficial (JP) | Site Oficial (EN) | Opening | Post conheça com guia de rotas 

Esse é o tipo de jogo perfeito para quem gosta de cultura japonesa, em especial, a cultura folclórica, em torno das criaturas conhecidas como Youkai e Ayakashi. Shino é uma garota comum que vê essas criaturas desde por volta dos seus 9 anos de idade. Ela está buscando um emprego, até que é “descoberta” por Tokitsugu. Graças aos seus poderes, ela acaba caindo em uma organização secreta do governo, chamada de Ayakashimori, cujo principal intuito é cuidar dos Ayakashi e manter uma relação de paz entre eles e os humanos.

Personagens

Akitsu Shino (Protagonista)

Eu, pessoalmente, adorei a Shino, porém ela sofre do mesmo problema que todas as outras personagens desse jogo: escrita superficial. No começo, a Shino não tem nada “demais” a brilhar e, sinceramente, se compararmos ela com outras protagonistas, talvez ela não tenha muito de destaque mesmo. Entretanto, eu gosto muito da interação dela com as personagens e acho que isso a torna bastante humana. Ela é uma garota esforçada e, como muitos falam —principalmente o Tokitsugu— ela é uma pessoa bem observadora.

Apesar de ter momentos em que ela acaba ficando mais passiva, diversos outros momentos ela fala o que tem que ser dito, às vezes sem medir suas próprias palavras. Também possui vários momentos divertidos e sarcásticos com seu chefe, Tokitsugu, embora, grande parte do tempo quem acaba saindo perdendo nas brincadeiras ser ela. Quando há alguém mais fechado, como o Hira ou o Shuu, ela é persistente e corre atrás, sendo bem teimosa. Em algumas rotas, ela é bem determinada e também forte com suas decisões.

Então por que eu diria que ela não é tão “especial” assim? Bem, eu diria que é mais pela falta de história e motivações diferentes além de “querer se esforçar para ajudar os outros”. Como dizer… Por que ela faz isso? Certo, ela acaba amando o serviço dela, como os Ayakashi quanto os humanos com que ela trabalha, e isso é escrito bem. Porém, como ela é alguém que sempre via criaturas sobrenaturais desde pequena, senti falta de terem explorado isso, unindo com a motivação atual dela. O passado dela em relação a isso é deixado bem de lado. O que sabemos é umas coisinhas aqui e ali, como ela não ter medo de muitas coisas do gênero de terror justamente porque ela “já via essas coisas desde criança”. Mesmo na rota em que deveríamos ter mais dela, senti que isso ainda ficou faltando. E a família dela? E como ela se sentia quando criança? Apesar do jogo trabalhar até de uma maneira legal os “choques culturais” entre humanos e Ayakashi, eu senti que faltou um pouco de “lado pessoal” nesses choques. Quando se tem choque cultural com algo, é porque isso é atrelado a sua identidade, sua história, seu passado e presente, os valores que foram unidos nesse tempo todo. Nós temos apenas o presente da Shino e não o passado dela. Não é para ser um passado trágico ou algo do tipo, apenas mais elaborado do que o jogo deixou.

Bem, ainda assim, eu gostei e me diverti muito com ela. Está longe de ser uma protagonista ruim e achei ela bem divertida.

Semi Tokitsugu

Tokitsugu é o chefe zoeiro huehue da Shino. Ele é extremamente habilidoso como um onmyouji, tornou-se um chefe de um dos grupos do Ayakashimori relativamente cedo, adora zoar os outros (principalmente o Tadashi) e também adora ser sarcástico em vários momentos. Ele está sempre de olho em seus subordinados e nos ayakashi, cuidando deles.

Como personagem, o Tokitsugu é um personagem bem excêntrico, e, apesar de seguir algumas tropes comuns de otome games, eu senti que ele também tinha um ar diferente. Talvez sejam os olhos fechados? (≧▽≦) De qualquer forma, ele é ótimo e muito divertido. Acho que grande parte das minhas risadas no jogo sempre envolviam ele e o Tadashi! Além disso, adorei a química dele com a Shino, apesar de ter visto opiniões mistas sobre a relação dos dois. Eu senti que, mesmo ele sendo chefe dela e tendo esse relacionamento hierárquico (que é bem importante no Japão), eles foram diminuindo essa distância bem naturalmente.

A maneira que a Shino responde às brincadeiras dele, às vezes sendo sarcástica, ou chamando atenção dele, me fez sentir que os dois realmente se completam. Isso é comentado até na própria rota: Quem coloca o Tokitsugu na linha e faz ele se abrir com os outros é a Shino e acho que foi isso que adorei na relação dos dois. Apesar de ambos adorarem ajudar os outros, o Tokitsugu é deveras mais fechado que a Shino e é ela que faz com que ele não se abra só para ela, mas com os outros também. Claro que houve ajuda de outros personagens, mas quem teve maior parte nisso definitivamente foi ela.

A rota em si foi boa e divertida, apesar do conflito principal ser resolvido de uma maneira um tanto “fácil” demais (algo bem recorrente nesse jogo). O pior pra mim, no entanto, foi que essa rota era claramente ligada ao Finale, o “ending verdadeiro”, e o fato de terem decidido separar os dois foi algo que realmente não ficou legal, na minha opinião. Pareceu muito que a rota do Tokitsugu foi uma “ponte” para o Finale, sendo que, se as coisas que acontecem no final do Finale fossem colocadas na do Tokitsugu, teria ficado mais emocionante e interessante, ainda mais porque o conflito principal É relacionado ao conflito do Finale. As personagens secundárias brilharam muito na rota também, especialmente o irmão mais novo do Tokitsugu, Tokitaka, e o Tadashi (apesar que sinceramente? O Tadashi é divertido em todas as rotas). Quanto aos ends, gostei tanto do Love e Friendship, mas o Lost Love me pareceu muito… rápido e forçado para ser triste.

Akuroou

Akuroou é um oni que tem uma aparência inicialmente assustadora, mas ele é um perfeito cavalheiro. Está sempre colocando o Hajun (para os íntimos, Oda Nobunaga), o Shire de sua região e as crianças gamers em corpo de adulto (Shuten e Ibaragi) na linha. Ele também tem afeição por gatos, mesmo que ele mesmo não tenha notado isso inicialmente.

Como dizer… O Akuroou é um amor. Extremamente romântico, gentil, adorável. As leves flertadas dele com a Shino são tão sutis que a pobre coitada fica até confusa em alguns momentos (não a culpo), porque às vezes ele acaba sendo meio denso também. A química dos dois foi muito boa, e, na minha opinião, talvez a melhor junto com a do Tokitsugu. Nessa rota, a Shino é bem forte, decidida, determinante e eu adoro como ela frisa o fato de que ela quer proteger o Akuroou e, ao invés disso ser ignorado ou não ser levado a sério porque ela é uma humana e mulher, o jogo escreve essa decisão dela muito bem. Isso, inclusive, fortalece o relacionamento dos dois. A relação dos dois é bem mútua e equilibrada, o desejo de proteger o outro é presente em ambos e eles também aceitam e são gratos pelo desejo do outro, o que é algo que achei muito bonito. Akuroou não subestima ela por ser uma mulher humana, ou ser bem menor e mais frágil que ele (bem, ele é um oni alto e forte) e, aos poucos, demonstra suas fragilidades para a Shino.

Sinceramente, se todas as rotas tivessem o padrão da escrita dessa, esse jogo teria sido ÓTIMO. A rota é muito bem escrita, o conflito principal não é resolvido de maneira rápida e fácil como as outras rotas. Enquanto algumas rotas tiveram um drama fraquinho e meio forçado, essa deu para realmente “sentir” e escreveu de maneira bem interessante o conflito entre relacionamento de humanos e ayakashi. Acho que a única falha dessa rota foi uma falha que senti em todas as rotas dos ayakashi: o passado dele foi muito rápido. Queria que tivessem aprofundado mais, porque foi bem interessante. Entretanto, essa falha não diminuiu muito a qualidade da rota em si.

Quanto aos ends, adorei todos, mas especialmente o Lost Love, ele foi um ótimo bittersweet.

Hira

Hira é um tengu preguiçoso, que vive trancando em seu castelo e adora reclamar que tudo, inclusive falar, é um saco. Sinceramente, entendo ele em alguns pontos, cof cof. Quem acaba cuidando dos deveres dele como Shire, em grande parte, acaba sendo seu assistente, Takao.

O Hira é complicado. No sentido de que, eu, pessoalmente, já me diverti com ele logo de cara, mas consigo ver perfeitamente como ele encheria o saco de outras pessoas. Ele demora muito para amolecer também. Ainda assim, eu adorei o relacionamento dele com a Shino, porque é basicamente ela indo atrás dele para ele se abrir mais e ele, lentamente, se amolecendo com ela sem notar. A insistência e paciência dela nessa rota são admiráveis e gera algumas cenas engraçadas. O único problema que vi no relacionamento dos dois foi no final da rota, pois o Hira acaba “amolecendo” e ficando feliz demais. Isso não seria um problema, se essa mudança dele não tivesse sido um tanto brusca e repentina, gerando até uma estranheza em mim, porque o desenvolvimento dos dois estava indo muito bem. Por essa razão, acabei preferindo os ends de Friendship e Lost Love, porque senti que o Hira não mudou tão rápido e bruscamente nesses dois endings.

Agora, quanto à história da rota em si, achei ela um tanto decepcionante. Poderiam ter focado apenas nos momentos engraçados entre os dois, sem criar drama. O conflito principal da rota, em si, é interessante, mas teve diversas coisas nele que me incomodou e foi resolvido muito rápido. Algumas coisas também foram meio ilógicas, considerando o que já havia acontecido durante toda a rota. A própria razão do Hira ser tão desanimado e depressivo assim é passada muito rápida, sem aprofundamento. Eu diria que a rota teve ideias muito legais para conflito e drama, mas a execução delas deixou muito a desejar.

Shuu

O Shuu é o único Shire que não tem um local fixo. Ele é arrogante, antissocial, e está constantemente junto com Orochi, seu assistente. Apesar disso tudo, ele na verdade tem um lado fofo e não sabe lidar bem em demonstrar seus sentimentos. Preocupa-se legitimamente com seus subordinados, mesmo que diga o contrário e, com o tempo, a Shino acaba sendo incluída nisso.

Como dizer, o Shuu é muito fofo. Ele é o típico tsundere bobo que tenta parecer bonzão, fortão, mas é uma manteiga mole por dentro. O único problema é que esse lado dele demora um pouquinho pra aparecer se você não estiver fazendo a rota dele e, a grosseria dele e arrogância acaba sendo meio chata por isso. O relacionamento dele com a Shino é bem fofinho e segue uma linha parecida com a do Hira, em que a Shino acaba sendo insistente com ele e movendo as conversas inicialmente, apesar de grande parte dos encontros iniciais deles serem “pura coincidência”. Quando o Shuu amolece de vez com ela, é muito fofo e adorável. Eu gostei da química dos dois, apesar de não ser nada surpreendente, funciona. Acho que o único problema é que, por alguma razão que não sei bem dizer, senti que a Shino não foi tão determinada e decidida nessa rota como em outras.

Quanto à história da rota em si, ela é, mais uma vez, decepcionante e senti que deveria ter se atrelado apenas ao relacionamento dos dois. O passado do Shuu é pincelado de maneira bem rápida. O Orochi é uma personagem bem interessante, mas ele, infelizmente, é pouco aprofundado. A pior parte, no entanto, é a resolução do conflito principal: algo grande acaba sendo resolvido fácil e rápido demais, de um jeito que te deixa pensando “é isso?”. A motivação do Shuu é bonitinha, mas ao mesmo tempo, muito rasa em relação a sua consequência. Devido a isso, novamente, gostei mais do Friendship e Lost Love. Por mais que o romance final e desenvolvimento do Shuu no Love tenham sido legais, a execução do conflito principal acaba estragando o resto.

Shiratsuki

Shiratsuki é o Shire (uma espécie de chefe) da Kikutsune que fala como um velhinho, está dentro da “moda”, adora ler revistas de moda humana, é brincalhão, mas também possui uma certa sabedoria graças a sua idade. Carinhoso e divertido, ele também é constantemente alvo de zoações de outros ayakashi, como a Tamamo.

O Shiratsuki foi uma grande surpresa pra mim, porque não esperava gostar tanto dele… Ele é muito fofo e engraçado! O relacionamento dele com a Shino foi fofo também, mas acho que foi um dos que menos senti química. Grande parte, para mim, pareceu bem unilateral, vindo mais dele do que dela. Apesar disso, ainda gostei do relacionamento deles e é bonitinho como ele é carinhoso, mas também carente. Eu acho que o único problema foi que faltou tempo para a Shino desenvolver melhor os sentimentos por ele.

Em relação ao conflito, ele é menor do que os outros, mas ainda assim, achei que ele foi resolvido de uma maneira acelerada demais (isso já tá ficando repetitivo né). Sinceramente, achei bem bobo o conflito em si e desnecessário. Se o drama da rota fosse mais ligado ao Shiratsuki seguir em frente e superar seu passado junto com a Shino, já estaria de ótimo tamanho. Teria sido bem mais interessante se fosse o tipo de rota em que a protagonista ajuda o homem emocionalmente, conhecendo ele e seu passado e o ajudando com suporte emocional.

Embora eu tenha dito tudo isso, o Lost Love para mim foi muito… ilógico. Ele não fez sentido algum. A decisão do Shiratsuki ali é completamente “?” pra mim. Okay, eu consigo entender da onde ele vem, mas a escrita disso foi tão rasa que foi decepcionante como drama e, diria que até um pouco, conflituosa com a caracterização dele. O Friendship end foi o melhor pra mim.

História

Dairoku possui ideias ótimas e conceitos muito bons, porém acaba pecando em sua execução na maioria das rotas. Com exceção das rotas do Akuroou e do Tokitsugu (e mesmo a do Tokitsugu acaba sofrendo por terem resolvido fazer uma rota separada chamada “Finale”), todas as outras rotas acabam começando bem, mas desce como um carrinho de rolimã caindo de um morro quando o conflito principal surge. As resoluções são muito rápidas e fáceis, te fazendo questionar por que aquilo sequer era um problema.

Outro problema também na história é que… Dairoku, na verdade, é um jogo muito mais focado nos personagens do que na “história” em si. Isso, por si só, não é um problema, apenas o torna no que chamamos de kyarage. O problema real reside nos personagens em si, quando acabam não sendo tão desenvolvidos ou aprofundados assim. Quero deixar claro que todo mundo nesse jogo, inclusive personagens secundários, são muito divertidos, carismáticos e interessantes. O defeito é mais que eles não possuem muito aprofundamento devido à escrita do jogo.

Em diversos casos, o jogo apresenta o passado rapidamente de um personagem e fica nisso. Você não vê aprofundamento nas tristezas, conflitos internos, o que o transformou no que é hoje, etc. Isso vai desde a própria protagonista aos homens do elenco. Diria que quem é mais “completo”, em questão de apresentar bem seus conflitos internos e passado, acaba sendo o Tokitsugu e, em seguida o Akuroou. Porém o Akuroou, infelizmente, faltou ter um pouco mais de seu passado desenvolvido.

Os personagens secundários desse jogo, tanto as garotas quanto os garotos, são muito divertidos também. O Tadashi, em especial, é uma menção honrosa porque ele é muito engraçado e te acaba fazendo torcer para que a crush dele na Kinka dê em algo. Hajun, então, é engraçadíssimo e gostaria que tivesse mais dele. A Tamamo claramente parecia ter mais coisas com a história geral do jogo, mas infelizmente, foi deixada meio de escanteio. Honestamente falando, ela merecia uma rota, mesmo que fosse amizade, porque o passado dela me intrigou bastante.

Agora, deixando os defeitos de lado, o jogo brilha muito mesmo nos momentos de “slice-of-life” e na comédia. Graças ao elenco carismático, há diversas cenas que geram bastante risada ou só são simplesmente divertidas de se ler. Você ver o relacionamento de todo mundo entre si, a ligação de humanos e ayakashi, por si só, já dá uma sensação bem calorosa no peito. Na minha opinião, se o jogo focasse nisso e não tentasse trazer dramas mais sérios não seria algo ruim. Ou talvez se criasse mais cenas de ação e batalhas, porque as poucas que tiveram, como na rota do Akuroou ou no Finale, foram divertidas.

Arte

Essa não é a arte da Suoh mano. Essa pintura não é dela….

Uma das maiores decepções, infelizmente. Eu acho que é bem notável o fato de que a Suoh claramente só fez as sprites e artes promocionais para esse jogo. Talvez ela tenha feito a lineart das CGs, mas a pintura com certeza não foi dela. Isso é muito triste, considerando que eu adoro a arte dela e é uma das artes mais diferentes da Otomate, que costuma contratar artistas com traços bem parecidos.

Esse post mesmo já tem algumas artes promocionais e eu acho elas lindas. Infelizmente, as CGs não seguem isso. Algumas são bem sem-graça e parece que o fundo não “casa” com a CG, como se alguém tivesse colocado as personagens por cima, sem pensar muito.

Quanto aos cenários do jogo, eu, pessoalmente gostei do estilo simples, que me lembrou um pouco Amnesia. Também me deu a impressão que optaram por um estilo mais simples para poder combinar com a estética ukiyo-e, apesar da falta de uma lineart muito aparente para eu poder dizer isso 100%. Ainda assim, eu, pessoalmente, não tive problema com os cenários do jogo, apenas nas CGs mesmo.

Reparem nesse fundo, observem as linhas, cores simples e uso do degradê no céu e comparem com a imagem abaixo
“Raposas de fogo na véspera de ano novo, na árvore transitória” de Utagawa Kuniyoshi

As sprites são belas (ao menos isso parece ser feito pela Suoh…?) e bem expressivas. A interface, com estética tradicional, também. Só tive a sensação de que exageraram um pouco na textura em alguns pontos e ficou muito “congestionado”. Os chibis são muito bonitinhos e achei fofo a colocação deles no mapa do jogo.

Hira pode estar morto por dentro, mas o chibi dele ainda é fofo

Música e Dublagem

A trilha sonora é maravilhosa! Ela cai muito bem no aspecto tradicional e eu gostei muito das músicas, fiquei viciada nelas. Só senti que tinha pouca música e, por isso, algumas acabaram ficando meio repetitivas. Eu gosto muito da abertura “Oyozuregoto”, cantada pelo dublador do Tokitsugu, Toyonaga Toshiyuki. A mistura de instrumentos japoneses com ocidentais e uma batidinha meio jazz no fundo… Amo. Agora, quanto ao encerramento, “Sakura no Taiyori“, achei gostosinha, mas nada demais. Eu fiquei meio decepcionada pela falta de um vídeo mais elaborado: é só uma tela de créditos preta com flores de cerejeira voando… Gostaria que tivesse algo mais, nem que fosse ao menos as CGs da rota passando.

A dublagem é um dos pontos mais fortes e caractéristicos de Dairoku. Não preciso falar muito, temos um nome gigante pra caramba no elenco (Sakurai Takahiro, o homem que me persegue e está em todo lugar). Inclusive, ele fez um ótimo trabalho como Shiratsuki e soou muito adorável também. Entretanto, eu destaco mais o trabalho do Toyonaga Toshiyuki. A atuação dele como Tokitsugu foi maravilhosa e deu muita vida ao personagem. Também gostaria de dar um destaquezinho ao Toki Shunichi, apesar dele fazer um personagem secundário, o Tadashi, ele ainda é MUITO presente na história e fez um trabalho incrível! E o Toki Shunichi não parece ter tantos papéis quanto outros nomes grandes nesse elenco.

Sistema, Interface e Tradução

Eu diria que, além da história, aqui é onde reside a maior parte dos problemas. Teoricamente, Dairoku não tem nada de muito diferente em relação a outros otome games em formato de Visual Novel. Você tem rotas, extras bonitinhos (No caso de Dairoku, são os Private Files, uma espécie de ficha técnica mais detalhada de cada personagem, meio como se fosse uma entrevista), um fluxograma que ajuda bastante você a completar tudo do jogo, um minigame bem simples. O que tem de errado então?

Bem, vamos lá… Primeiramente, algumas mecânicas intrínsecas ao jogo, como já foi dito pela Pix no post de primeiras impressões, é horrível e falho. A velocidade do texto é extremamente lenta, mesmo você aumentando. Depois, nós descobrimos que ela é assim porque você tem que primeiro desativar a sincronização com a voz no texto, aí sim a velocidade de texto funciona de maneira melhor. A tipografia não combina com a estética do jogo, não digo que gostaria de uma letra cursiva, mas ao menos algo que combinasse melhor com o aspecto “tradicional”. Além disso, ela também se apresenta como um problema em diversos momentos: quando o texto está em cima da tela preta, por exemplo, ou aparece o título dos capítulos, a fonte com contorno em volta fica ruim de ler (ao menos no modo portátil).

A interface em si é bonitinha, ela pega uma estética japonesa tradicional e se foca em texturas seguindo a mesma ideia. A paleta de cores do jogo é claramente focada no roxo. Vejo que muita gente relacionou isso com o fato do jogo passar em período noturno. Entretanto, eu acho que não foi apenas por isso: o roxo era considerada uma cor nobre no Japão, devido a sua escasseza. Depois, na era Edo, ela se tornou uma cor “fashion”, já que as pessoas não podiam usar cores muito vivas e os atores de Kabuki começaram a usar acessórios e roupas com a cor roxa, criando meio que uma espécie de moda. Considerando tudo isso, acho que a paleta focada no tons roxos do jogo é para demonstrar tanto o ambiente noturno quanto aos padrões fashion da Era Edo, e também um certo sentido não exatamente de nobreza, mas de uma posição hierárquica alta, já que é uma organização secreta do governo. (Ou talvez seja eu pensando demais)

Agora, vamos a minha maior reclamação desse jogo: DICIONÁRIO. E por incrível que pareça, minha reclamação aqui não vai ser direcionada apenas à tradução não, mas ao próprio jogo original. O dicionário desse jogo é extremamente pobre considerando os temas que ele quer abordar e o público que quer atingir.

Como lembrar de algo que nem sei Akuroou? Dicionário não me explicou snif snif (eu chuto que seja uma outra maneira de chamar os Jami, pelo contexto, mas não tenho certeza)

Um argumento comum e compreensível que vejo é de que o jogo é… Bem, um jogo japonês, então para que um dicionário, mesmo no original, sobre termos folclóricos? Bom, aí eu te pergunto: nós sabemos TODAS as lendas folclóricas de nosso país? Todas as criaturas? Não há criaturas que tem nome em um canto do país e outro nome em outro canto? Pois bem, isso serve para o próprio Japão também. O próprio exemplo da print acima… Mesmo procurando em japonês, eu não achei nada.

Eu sei que isso pode sair um pouco do assunto, mas eu quero explicar o meu incômodo da melhor maneira possível. Apesar de termos muitos animes, mangás, mídia para entretenimento em geral com folclore japonês hoje em dia, não significa que sempre foi assim e que todos conhecem tudo sobre as lendas de seu país. Após a abertura dos portos forçada no Japão, o mesmo teve que matar muitas coisas da sua própria cultura para poder se adequar aos padrões ocidentais. Isso inclui suas histórias folclóricas. Por um bom tempo, essas “historinhas rurais” chegaram a ser consideradas vergonhosas de se contar.

Isso tudo só foi mudar drasticamente graças a pessoas como o mangaká e historiador Shigeru Mizuki, mais conhecido pela obra de GeGeGe no Kitarou. Shigeru Mizuki fez uma pesquisa extensa sobre youkais e suas lendas, reuniu elas em livros e criou várias histórias na mídia dos mangás relacionados a eles. Os youkais, que haviam sido esquecidos na cultura popular, estavam sendo notados novamente. Ele reapresentou várias lendas, contos, personagens. Isso pode parecer algo muito antigo, mas o próprio GeGeGe no Kitarou, sua obra principal em disseminar a cultura popular dos youkais, foi lançada em 1960. Então, essa volta dos youkais na cultura popular japonesa é mais recente do que se pensa.

Dito isso em mente, cada vez mais possuímos obras com esse tema. Entretanto, não significa que todo mundo conheça todas as criaturas existentes possíveis. Algumas pessoas que moram bem afastadas da zona rural têm menos chance ainda de conhecer, se não já estiver por dentro do tema ou ter algum interesse nele de antemão. Em outras palavras, isso vale para os próprios japoneses também. Assim como nós, brasileiros, conhecemos algumas criaturas mais populares (como o Saci), também desconhecemos muitas outras menos populares (muita gente não conhece Corpo-seco, Quibongo que é mais popular na Bahia, ou nem sequer sabe que a versão do Lobisomem brasileira é diferente).

Agora, reunindo tudo o que eu falei anteriormente, eu reafirmo: o dicionário desse jogo é uma triste decepção. Um jogo focado nesse tema poderia estar ensinando e atraindo mais pessoas para o tema, facilitando para elas, mas ao invés disso, acabou tomando um rumo mais preguiçoso. Há algumas criaturas bem conhecidas, claro, mas existem criaturas bem, bem menos conhecidas nesse jogo também que nem sequer sprites ou descrições têm. Enquanto esse jogo poderia estar ensinando, tanto para os japoneses quanto para os estrangeiros, sobre esse aspecto tão interessante e divertido da cultura japonesa, ele não o faz. Há outros jogos da própria Otomate, como Hakuouki, que possuem um dicionário extenso e rico, educativo. Só o dicionário de Hakuouki te ensina muito sobre o período do Bakumatsu, em que os Shinsengumi se encontravam. Então, por que Dairoku não seguiu essa linha? É uma decisão bem triste para mim.

Quanto ao ponto da tradução, eu diria que ela também deixa a desejar nessa questão de termos. O jogo original não ajudou, mas a tradução menos ainda. Diversos termos são mantidos em japonês, o que, para alguém que já estuda tanto a língua quanto o assunto como eu, não é um problema… Mas e quem não? Assim como a Pix ficou confusa e falou sobre isso em seu post de primeiras impressões, vi muitas outras pessoas reclamarem do mesmo. A escrita original não dá descrições das criaturas também, então a tradução poderia tentar adaptar isso e colocar ao menos algumas descrições para que as pessoas compreendessem melhor… Mas infelizmente não o fez.

Deixando o momento fofo do Akuroou de lado, muita gente provavelmente não sabe o que é “dogeza”, que é a etiqueta japonesa de se sentar ajoelhado no chão e se curvar

Além disso, alguns termos foram mantidos sem necessidade alguma. “Ryokan” é perfeitamente traduzível como uma “pensão em estilo japonês”. Há outros exemplos, mas haviam palavras que podiam ser perfeitamente adaptadas sem perder nada e, mesmo assim, não fizeram. Não entendi essa decisão também.

Um ponto positivo ao menos é que eu não encontrei tantas typos como nos jogos anteriores da Aksys. Algumas frases foram traduzidas de maneira estranha, porém em geral o texto estava bem compreensível. Houveram adaptações que também ficaram boas, como o “nya” da Kinka ser atrelado às falas dela (“Don’t lie to meow!”).

O minigame é bem simples, mas confesso que achei ele meio inútil. Ele só serve realmente pro Finale e, ainda assim, ele não é colocado em momentos importantes para dar um gostinho a mais.

Só clicar nos botões aleatórios que surgem na tela, na ordem que estiverem acesos, e show.

Biases

Quando eu li sobre os personagens, meus olhos estavam no Tokitsugu e no Akuro. Bem… No fim, eles viraram meus preferidos mesmo, especialmente o Tokitsugu! Inclusive, eu achei o Tokitsugu uma personagem bem divertido e levemente “diferente” em otome games. Adoro personagens que estão sempre de olhos fechados e só abrem quando o bicho pega fogo e… Isso é meio raro em otome games. Outra coisa que me atraiu foi a atuação do Toyonaga Toshiyuki como Tokitsugu. Dizer que o trabalho dele não ajudou em amar o Tokitsugu seria uma grande mentira! Ele expressa muito bem as provocações, o sarcasmo, tornando tudo ainda mais engraçado. Os momentos sérios, então, são muito bem feitos também!! Ah, o Tokitsugu também é irmão mais velho, tendo uma irmã mais nova e um irmão mais novo, já falei isso? cof cof.

O Akuro, se não existisse o Tokitsugu, seria meu preferido. Ele é tão… gentleman, respeitoso, príncipe e amável, mesmo tendo uma “aparência assustadora” como dizem tanto dentro do jogo, por ser um oni… Mas ele é tão doce! O amor dele por gatos e o jeitinho dele de flertar com a Shino, tão sutil são de derreter qualquer um também. Não ajuda que ele é meio que a “mãezona” dos onis, sempre cuidando e dando sermão neles.

Mas dois personagens que eu não esperava amar tanto e que poderiam estar no primeiro lugar foram o Shiratsuki e o HAJUN! Ah não, você não me coloca um Oda Nobunaga oni, viciado em figures, que gosta de brincar de exército e fazer os outros onis vestirem armaduras e que fica soltando uma risada maléfica e zoando todo mundo em um jogo desses e não me deixa nem ter uma rota com ele. Eu amo o Akuro também, claro, mas meu deus, o Hajun é MUITO ENGRAÇADO! Eu queria que tivesse tido mais dele, poxa!!

Beleza, mas cade a rota dele? ):

O Shiratsuki também é muito divertido e o jeitinho dele de falar que nem um velhinho é muito fofo. Ele tem uma aura que dá vontade de mimar e dar tapinhas nele quando ele fica zoando demais. Eu amo personagens assim. O jeitinho dele apaixonado pela Shino e querendo chamar atenção é muito adorável também… Droga, não esperava gostar tanto dele!!

Conclusão

Quando ele abre os olhos é especial..

Apesar de ter muitas ideias boas e interessantes, Dairoku não executa elas tão bem. Ainda assim, ele não deixa de ser divertido, graças ao seu elenco de personagens carismáticos. Seu worldbuilding acaba pecando um pouco, o que é triste, considerando o potencial que esse jogo tem graças ao tema de Ayakashi. Shino é uma protagonista legal e divertida, brilha em vários momentos com sua decisão e determinação, mas assim como grande parte do elenco, lhe falta um tanto de profundidade em suas decisões e razões.

Eu não diria que o romance é escasso nesse jogo, mas sim que ele é mais leve e “inocente”. A química da Shino com o elenco, em geral, foi boa. O único problema foi realmente o desenvolvimento, sendo rápido demais em alguns casos (Hira e sua mudança brusca), e outros parecendo que o relacionamento era muito unilateral (Shiratsuki com a Shino).

A música e estética desse jogo casam muito bem, apesar das CGs serem um tanto decepcionantes, não parecendo ser nem mesmo pela própria Suoh e sim por algum outro artista sem nome que trabalha na Otomate (algo como o que fizeram com Diabolik Lovers e Hakuouki, já que as artistas oficiais saíram dessas franquias há muito tempo).

Em geral, eu diria que é um jogo divertido e bom para passar o tempo, se você gosta do tema e de slice-of-life, sem esperar grandes coisas da história e um grande aprofundamento em personagem. Se você quer relaxar com ayakashis e se divertir um pouco com um romance mais levinho, ele é um bom jogo pra isso. Agora, se a resposta é “não” e você querer algo com mais história e um drama escrito melhor, eu diria para procurar algum outro jogo com o mesmo tema, como Ayakashi Gohan.

Muito obrigada pela referência maravilhosa e engraçada. Pra quem não pegou, é uma série de jogos de estratégia e simulação bem clássica da KOEI, tem no Steam.

Por sinal, eu segui os conselhos do site oficial e deixei o Shuu e o Tokitsugu por último, antes do Finale. Minha ordem pessoal (e que gostei) foi: Hira -> Akuroou -> Shiratsuki -> Shuu -> Tokitsugu -> Finale.

Nota geral: 6.5

Thanks to Aksys Games for supporting our job! <3

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