As primeiras horas e impressões de Dairoku: Agents of Sakuratani (Dairoku: Ayakashimori)

Enquanto nossa review ainda está sendo preparada sobre o mais recente otoge localizado da Aksys Games, que tal matar um pouco a curiosidade e saber como anda minha jogatina e impressões até agora? Vem comigo adentrar no universo folclórico japonês de Dairoku: Agents of Sakuratani!

Nota 1: Contém pouquíssimos spoilers da rota comum. Eu diria que você pode ler sem medo

Nota 2: Este texto possui opiniões pessoais, portanto, fique atenta, pois cada um tem sua opinião. Ou seja, o que eu achar ruim ou bom você pode não concordar. Lembramos também que as opiniões não refletem necessariamente a visão de todas as integrantes do Otomices

Esta postagem foi possível graças ao recebimento da chave digital do jogo pela própria publicadora.

Thanks to Aksys Games for supporting our job! <3


Antes de qualquer coisa, desde que fiz o post dedicado de Dairoku, eu percebi que se tratava de um otome game de baixo orçamento (budget). O que isso poderia significar? Bem, que ele poderia não ter dos melhores enredos e outros elementos que fazem parte da produção de um jogo (música, arte, interface, marketing para venda, enfim).

Então eu fui jogar sem muitas expectativas, apesar de adorar qualquer história que mexa com a mitologia e folclore japonês.

E até que eu tive uma surpresa agradável, gente!

Guia e acesso rápido aos tópicos:

O começo de tudo

No início, você é levada diretamente para uma cena onde a protagonista, a Shino, está prestando uma espécie de “concurso” para conseguir um trabalho no governo. Acontece que ela acaba vendo uma entidade que não pode ser vista por qualquer um. Semi, o primeiro interesse romântico que aparece no enredo e que já trabalha para o governo, nota este “dom” de enxergar espíritos sobrenaturais da Shino e a chama para se juntar à divisão especial dele. Após mentir para o rapaz alegando não conseguir ver nada, ela acaba caindo numa armadilha dele para fazê-la confessar que enxergava coisas sobrenaturais. E, assim, a garota acaba aceitando a oferta de trabalho que fora feita.

Semi não deixa nada escapar dos seus olhos observadores

Ela vai trabalhar para a divisão especial do governo Ayakashimori, responsável por manter a ordem e paz entre os ayakashis em um universo paralelo ao do mundo real. Em Dairoku, todos os ayakashis (entidades sobrenaturais e espirituais) vivem neste universo paralelo, chamado de Sakuratani. O lugar é dividido em distritos, e cada um possui o seu chefe, tal posto nomeado de “Shire”.

Após passar por um período de estudos e aprender feitiços, nossa garota finalmente começa a trabalhar em Sakuratani. O lugar tem uma ambientação de um Japão do período Heian, que comumente, assim como outros períodos antigos do país, são associados a aparições de ayakashis. Na história, todas estas entidades foram e ainda são levadas do mundo real para esta nova dimensão, onde sempre é noite. O governo atua para manter a energia espiritual equilibrada entre os dois universos, é por isso que agentes como o Semi e Shino atuam como “policiais” para manter a ordem entre os diferentes distritos e ayakashis.

Semi, que acaba virando o supervisor-chefe de Shino, faz uma tour em Sakuratani para apresentá-la aos respectivos Shires, lugares, e ayakashis com os quais ela sempre terá contato. Então vamos conhecendo aos poucos cada candidato e personagens secundários.

Personagens principais

Akurou é assistente do chefe dos ayakashi onis. Apesar da aparência intimidadora, ele é muito polido, calmo e simpático. A voz dele é tão suave que vai totalmente contra o que sua imagem passa quando calado. Ele, assim como a maioria do distrito dos onis, gosta de colecionar figure actions, e curte coisas otakus, como games e animes (lol). Não tenho muito o que falar dele pois minha jogatina não cruzou com frequência com o oni, mas descobri que Akurou e Semi são amigos.

Shiratsuki é o Shire do distrito dos kitsune, no qual também vivem outros ayakashis, como os nekomatas. Ele gosta de ser provocativo com a protagonista, mas naquela linha indo mais para a brincadeira do que malícia, apesar dele não me enganar (estamos falando de uma raposa, né, cof). Bem no primeiro momento que Shino pisa na mansão para conhecê-lo, ele a abraça e brinca com ela.

Eu preciso confessar que ele me ganhou graças à voz maravilhosa do Sakurai Takahiro. Quero dizer, ele tem todos os traços de um shouta (pelo menos para mim o_o), mas suas atitudes, aliadas ao seu tom de voz, o tornam mais maduro do que aparenta. Ele subiu na minha escala, ficando na frente do Akurou (que atualmente está no meu terceiro lugar). Além de sempre carregar um bom humor, Shiratsuki ajuda a protagonista sempre que pode, explicando coisas ou lhe dando conselhos sobre os ayakashis.

Hira é o Shire do distrito dos tengu, que, assim como o distrito de Shiratsuki, é o lar de outras entidades, como as kappas. Ele é muito preguiçoso e não gosta de falar quando não há necessidade (o que parece ser sempre). E é, atualmente, o candidato que estou jogando a rota (sempre jogo dos menos favoritos para os mais favoritos).

No início eu revirava os olhos com ele, porque ele tem uma personalidade muito antisocial e desinteressada, mas a forma como a Shino vai conseguindo lidar com o tengu me soou muito natural. Aos poucos ele começa a falar mais e assim eu consegui gostar mais dele. Eu preciso aplaudir essa garota que literalmente o seguiu por toda Sakuratani, enquanto o ayakashi falhava miseravelmente em fugir dela, kkkk. Chega um ponto em que ele desiste e faz o que ela estava solicitando, lol. Além de todas essas características, o Hira tá se mostrando um verdadeiro tsundere, então para quem curte esse perfil, com certeza vai gostar dele!

Shu é um ayakashi cobra, líder dos Mitsuchi, um grupo de ayakashis sem setor, ou seja, eles não têm exatamente um local fixo em Sakuratani nem um distrito para chamar de seu. Ele é o candidato mais distante de todos, e se você não escolher os eventos nos quais ele está presente, dificilmente vai vê-lo. Como ainda não joguei a rota dele, é o personagem que tenho menos o que falar. Mas de cara ele cumpre aquele estereótipo do garoto que não quer se envolver com ninguém e carrega uma aparente raiva adolescente. Definitivamente o shouta do grupo, para a minha tristeza, kkkkk.

Mas no fundo ele deve ser gentil ou coisa parecida, pois em um momento da jogatina a Shino desmaia de tanto trabalhar e quando o seu chefe, Semi, chega pra socorrê-la, encontra o Shu próximo a ela, numa tentativa de evitar que a garota seja atacada por ayakashis. Own.

Falando no Semi, ele é de longe o meu favorito! Toyonaga Toshiyuki faz um ótimo trabalho ao dar voz ao personagem, conseguindo passar muito bem a personalidade sarcástica e observadora do rapaz. Semi sempre fala com um tom meio irônico misturado com humor e adora fazer piadinhas. Apesar disso, ele é um bom e amigável chefe para Shino.

Esse rosto de olhos fechados e um sorriso travesso parece esconder um lado que ele não mostraria a todos. É a impressão que tive. Btw, louca pra ver esse rapaz abrir os olhos. Como a Nico diz, você sabe que a coisa ficou séria quando um personagem de olhos fechados os abre.

E o que falar da Shino, a nossa protagonista? Bem, eu admito, no começo achei ela bem sem graça, sem personalidade, apenas neutra. Meio pessimista? Eu não sei se a culpa é dos sprites da garota constantemente mostrá-la com o rosto preocupado ou cansado no início do game. Mas com o tempo, ela vai ficando mais confidente e feliz com o trabalho, então eu creio que ao longo das rotas vou ver mais da personalidade dela. Mas no geral, é uma heroína OK, nada de mais.

Gameplay

Depois que você faz a tour inicial por Sakuratani, o jogo te dá a opção de escolher para onde ir no mapa para seguir a história. Em cada local há um ou mais personagens do elenco principal. Depois de terminar uma cena, às vezes você volta para jogar o restante das opções do mapa, às vezes a história segue. Isso cria um flowchart (fluxograma de eventos) com linhas alternativas de acontecimentos.

No total, são 7 lugares que dá pra visitar no mapa. Os garotos ficam espalhados em diferentes locais à medida que a história vai acontecendo

A rota comum é bastante longa, inclusive. Ela é composta pelo prólogo e mais três capítulos. Mas eu gostei que cada capítulo é composto por “cenas menores”, que duram menos tempo cada uma. Isso com certeza é por conta da possibilidade de seguir caminhos diferentes durante o início do enredo, e eu achei maravilhoso que isso me permite encaixar a jogatina no cotidiano, nem que sejam 30 minutinhos, jogando 2 cenas menores.

O flowchart é bem organizado. Dá pra saber quais cenários você já fez (lilás), em qual você está (rosa), quais não fez (branco), e até quais personagens participam da cena, bem como se terá CG ou escolhas

À medida que você escolhe para onde ir no mapa, você acaba interagindo mais ou menos com alguns garotos, fazendo com que eles criem um interesse por você de acordo com estas interações. Como eu fui direto jogar com um guia, o meu status tá todo reservado no Hira, mas com certeza os níveis estariam distribuídos se eu estivesse jogando por mim mesma. Eu suponho que você entra na rota de algum boy específico a partir de um mix desses status e suas escolhas na rota comum. Sem o uso de guia, esse sistema é bastante interessante no quesito de te deixar na dúvida em qual garoto você vai cair na rota a partir do capítulo 4.

Além de escolher para onde ir e interagir com o personagem que você tem interesse, há a possibilidade de visitar pontos onde uma energia densa está concentrada e retê-la. Como um agente do Ayakashimori, Shino deve manter a energia espiritual equilibrada em Sakuratani, pois, como ela é uma dimensão paralela ao mundo real, uma desarmonia espiritual no mundo dos ayakashis também afeta de forma negativa o mundo dos humanos.

A musiquinha que toca nessa mini batalha é muito chiclete!

Quando você escolhe ir para esses pontos de energia densa, há um minigame, que é bem fácil de jogar, sendo necessário apenas seguir uma ordem de comandos que são mostrados na tela. Eu descobri que nas rotas que conduzem para o final feliz romântico, Shino praticamente não participa dessas lutas, mantendo sua habilidade de feitiços baixa. É como dizem, o amor te deixa cego pra outras coisas, kkkk.

Interface e sistema

A interface do jogo é meio… meh. Por padrão, a velocidade do texto é muito lenta, e depois de aumentá-la nas opções e constatar que continuava lento, imaginei que fosse um bug. Bem, você precisa primeiro desativar a opção de sincronizar a voz com o texto, e então a opção da velocidade do texto funciona normalmente. A tipografia utilizada nos textos de diálogos e dicionário é genérica demais, não casa muito com a estética e ambientação do game. Ainda que claramente foquem na legibilidade em detrimento da combinação visual, dava pra Aksys escolher uma fonte que fosse um meio termo.

Eu tenho a impressão que o jogo fica muito “ampliado” no modo dockado (jogar pela TV) do Nintendo Switch. Os personagens e fontes parecem muito grandes. No modo portátil é tudo de boa.

Uma coisa que achei péssima foi o fato de você precisar dar “muitos cliques” pra acessar o dicionário. Não existe nenhum botão disponível para ser pressionado quando uma nova entrada do dicionário aparece. Você precisa apertar uma sequência de comandos e procurar a nova palavra no glossário. E como se não bastasse, depois de ler uma nova entrada e sair do dicionário, antes de voltar pra tela de diálogos e continuar de onde você parou, o jogo dá uma pequena carregada para salvar esse status de “lido”…….

CADÊ O BOTÃO pra eu ver o significado da expressão em destaque? OTL

E por falar em dicionário, ainda existem muitos termos e palavras do folclore, cultura e mitologia japonesa não contemplados no dicionário, que podem te deixar sem entender nada caso você não conheça muito bem desses assuntos (foi o meu caso). Em alguns momentos eu mandei mensagem pra Nico dizendo “HELP, não tô entendendo nada sobre o que eles tão falando!!”. E olha pra minha cara se eu vou parar o jogo pra fazer pesquisa no Google, kkkkk.

Eu seila o que é takageta! (na vdd agora sei, aproveitei que fui fazer esse texto no PC e pesquisei no Google)

Eu acho que neste caso não tinha muito o que a Aksys fazer, pois o jogo original é que não vem com estas explicações. Provavelmente porque lá no Japão os nativos conhecem de trás pra frente sobre o folclore e mitologia citados no jogo. Não sei se a Aksys conseguiria adicionar novas entradas no dicionário para adaptar ao público ocidental. Enfim, tem que lidar com isso.

Arte e música

A arte do jogo em geral é bem meh. A única coisa que salta mesmo, e que tem qualidade, são os character design dos personagens. Mas eles não casam bem com os planos de fundo, que são trabalhados de forma muito pobre e sem graça. Isso com certeza foi devido ao baixo budget. Mas eu acho que é melhor focar na qualidade do visual dos personagens (assim como a dublagem) do que nos cenários de fundo, caso a equipe desenvolvedora tenha que escolher. As CGs que liberei até agora são OK. Não há uma grande composição, o foco é mais nos personagens e em alguma ação que eles estão realizando.

A música, por outro lado, é bem agradável aos ouvidos, por ser totalmente ambientada num Japão histórico e com elementos sobrenaturais. Ela consegue envolver bem os momentos sobre os quais está tocando, ajudando na imersão. Pra quem é fã de música instrumental tradicional japonesa, vai curtir a trilha sonora de Dairoku!

Impressões gerais

Em geral, pelo menos até a rota comum, mas provavelmente também no restante das rotas, o enredo de Dairoku se dá de uma forma bem no gênero Slice of Life. Ou seja, você acompanha o cotidiano de trabalho da protagonista Shino e as relações que ela vai criando e desenvolvendo com as pessoas ao redor dela, podendo, inclusive, se envolver amorosamente com algum dos candidatos.

Eu gosto de VN que se passam em ambientes de trabalho, e acho que um dos pontos altos desse otoge são os momentos de diálogos cotidianos entre os personagens. Apesar de conter elementos sobrenaturais, pelo menos até onde joguei, não recomendo que você espere uma grande reviravolta de acontecimentos ou momentos de muita tensão. Dairoku me soa um otome bem agradável e ideal para passar o tempo, com personagens que com certeza vão te cativar. Até mesmo os personagens secundários são interessantes.

Como o amigo Gabe, em sua review no NintendoBoy, falou, Dairoku é um “excelente jogo medíocre”. Ele não te promete nada extraordinário e inovador, mas consegue cumprir o seu papel em manter uma história simples e cotidiana – no mínimo – legal de acompanhar. Eu tô gostando do ritmo; e a possibilidade de jogar em pequenos períodos de tempo, graças aos capítulos que são distribuídos em eventos menores, me ganhou. Parece a mesma sensação de quando você tá lendo o volume de um mangá físico aos poucos, capítulo por capítulo, ao invés de tudo de uma vez.

É por isso que eu disse que Dairoku tá sendo uma agradável surpresa. Mesmo com a arte geral não sendo as mil maravilhas (que é algo que dou muito valor), a história simples, aliada à música, o ótimo trabalho dos seiyuus e à ambientação do folclore japonês, me conquistou.

Se você curte Slice of Life e tá a fim de um otome game agradável num estilo de leitura dentro da zona de conforto, com certeza Dairoku: Agents of Sakuratani é uma boa opção.

Estas foram as minhas impressões sobre as primeiras horas do otome game. Fiquem no aguardo da review completa, que ainda VEM AÍ! <3

2 comentários sobre “As primeiras horas e impressões de Dairoku: Agents of Sakuratani (Dairoku: Ayakashimori)

  1. Ora gente que tudo essa intro para o jogo, eu sou o tipo de pessoa que PRECISA saber de alguma coisa consistente para querer jogar, então algo assim é tudo que eu mais gosto. Como eu ando meio desapegada dos jogos da Otomate esse é um dos poucos que esta na minha lista. A arte foi algo que me assustou, não pelos traços em si, já que eu gosto de ver traços diferentes, mas por ser o oposto do que a Otomate faz que nem o Psycadhelica, foi a mesma senção.
    Obrigada por essa intro, adorei.
    beijos

    Curtir

    1. Quem bom que gostou! <3 Nós fazemos esse tipo de postagem porque sabemos que os jogos não são baratos, então é uma forma de fazer a escolha sem pegar muitos spoilers, hehe. Obrigada pelo elogio! <3

      Curtir

Deixe uma resposta para otome game br e + Cancelar resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s